I – Tardes de Abril

belle

Doce Fantasia

I

Tardes de Abril

Era fim de tarde quando Belle ouviu passos aproximando-se de sua porta. A luz alaranjada do sol permeava as cortinas entreabertas e projetava-se majestosa em sua parede, avivando a pouca madeira que constava nas bordas de seus quadros ali presentes. A atenção da garota optou por prender-se ao belíssimo espectro de cores que abrangia todo o horizonte, desde as pequenas colinas onde os olhos ainda alcançavam, e até mesmo ao grande freixo que encontrava-se diretamente à frente de sua singela casa, um pouco depois do cercadinho, mas ainda antes dos arbustos de mirtilos.

Os passos, por segundos, tomaram sua atenção, e ela olhou de canto de olho para sua porta. Percebeu que eram curtos e firmes, e concluiu que fossem dos tamancos de sua mãe. Restava-lhe pouco tempo para admirar a paisagem, e ela sabia disso. Assim, deixando que os passos se perdessem nos pensamentos do fundo, tornou a fitar o horizonte tomado pelo crepúsculo.

E, como em todas as tardes, o horizonte fitou-a de volta.

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