O Nariz Grande

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O Nariz Grande

Eu tenho um nariz grande, e tenho plena consciência disso. Entretanto, determinadas pessoas ainda vêem utilidade em me dizer que eu tenho um nariz grande.

Eu sei que eu tenho um nariz grande, veja bem, e tenho certeza que se você tivesse um nariz grande, você também saberia.

E teria sido chamado de “tucano” na época do colégio.

Enfim.

Será que as pessoas realmente pensam que eu não sei de minhas próprias características quando chegam para mim e dizem “Ei, você tem um nariz grande!”? Quer dizer, ele esteve em meu rosto a vida toda.

Faz sentido que eu saiba que eu tenho um nariz grande. Afinal de contas, é do meu próprio nariz que estamos falando.

Também faz sentido que eu tenha um nariz grande, porque quando meu pai tinha minha idade, ele também tinha um nariz grande. Mas ele, assim como muitas outras pessoas, não era feliz com seu nariz grande, e então ele tornou-o menor.

Não que muitas pessoas tenham narizes grandes, mas é de características peculiares que falo aqui. Coisas que afirmam que você é quem você é, sabe? Mais simples do que parece, e complicam mais do que deveriam.

Eu realmente não me importo quando as pessoas falam sobre meu nariz grande, porque é simplesmente quem eu sou.

Mas muitas pessoas se envergonham de seus narizes grandes, ou lábios grandes, ou mesmo de seu tom de pele. E tais características as tornam tristes.

E muitas outras pessoas são tão orgulhosas de seus narizes a ponto de se ofenderem quando notam o quão grandes eles são.

Me dizer que eu tenho um nariz grande é como chegar para uma garota e dizer “Ei, você é uma garota!”

Talvez meu pai não gostasse de ter um nariz grande, mas eu realmente não me importo com o meu.

Me dizer que eu tenho um nariz grande é como chegar para um cara gay e dizer “Ei, você é gay!”

Na realidade, não faz diferença alguma ter ou não ter um nariz grande. Eu não acho que outras pessoas se importem com meu nariz quando corrigem minhas provas, assistem meus filmes ou, enfim, lêem meus textos.

Me dizer que eu tenho um nariz grande é como chegar para um cara negro e dizer “Ei, você é negro!”

Se eu quero me tornar um músico, dificilmente meu nariz grande será um problema.

Se um cara negro quer se tornar um escritor, dificilmente seu tom de pele será um problema.

Porque no fim das contas, não importa quem você é, mas sim o que você faz.

Se orgulhe incondicionalmente de quem você é.

– Infinitas Boas Idéias

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Paixão em Frases

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Paixão em Frases

Numa dessas madrugadas de Sábado pra Domingo,
Respirações ofegantes, tecidos amassados. Nem sinal da luz lá fora, mas eu sei que tu está aqui. Tua cintura, agarro firme, e respiramos no mesmo ritmo. Tudo começa num beijo solene, tímido, e bem dado, molhado, daqueles que tiram o fôlego. Teus lábios amargos, porém únicos, dão sentido à minha existência.

Te trago para mais perto, degusto do teu perfume, te beijo de novo, da orelha ao pescoço, e você retribui. Tuas unhas me extasiam, minhas costas são tuas para desenhar. Um corpo contra o outro, apertado, quase inerte.

O cheiro do teu cabelo. Olhares tímidos, quase envergonhados, sentindo-se culpados, e mais livres do que nunca, como se dialogassem, “Nós fizemos isso mesmo, não é?” E me orgulhei de ter sido cúmplice de seus atos mais verdadeiros.

Naquele momento, minha querida, eu seria capaz de jurar, para ti e para o mundo, que éramos um só.

IV – As Duas Roseiras

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Infinitas Boas Idéias

IV

As Duas Roseiras

Leopold me dizia que preferia viver sozinho.

– Preferia, sim, viver solamente. – Replicava ele às minhas ideias absurdas da época

– Pois, te acho um tolo. – Disse a ele, da forma mais sincera e amigável possível

– E por que diz isso, camarada?! – Indagou ficando na ponta dos pés, da forma com que sempre fazia.

– Acredito em finais felizes. – Eu o disse – E acredito que no mundo há alguém certo para cada um de nós.

– Tu que és um tolo. – Replicou de forma ignorante – Não percebes, camarada, que não há nada de bom em entregar-se a outro?! Pois, este sou eu, e eu me entrego de corpo e alma para as pessoas com quem proseio, e não há uma situação sequer em que isto me foi positivo.

– Não odeie todos os espinhos só porque um deles lhe espetou. – Eu lhe disse, dotado de senso comum.

– Você é quem se deixa espetar por vários espinhos da mesma rosa, meu estimado amigo. – Disse-me sabiamente o pequeno homem – Percebo que gosta de falar em senso comum. Pois bem, entenda: Dar murro em ponta de faca não fura defesa nenhuma que não a sua própria.

– Sua prosa me interessa, admito. – Lhe disse – Prossiga.

– Veja bem. – Ele iniciou novamente, com a voz limpa – Eu já visitei o mundo dos amores e paixões, meu caro, e não deixe-se enganar pelo discurso falacioso de que amor e paixão são coisas diferentes. Eles estão no mesmo mundo, um é a evolução do outro, cativas a paixão e a tornará amor. Entretanto, veja bem, neste mundo há duas grandes roseiras. Uma delas é composta por rosas vermelhas e perfumadas, as mais belas de todos os mundos, e esta roseira estende-se por todo o palanque e é dotado de infinitas rosas maravilhosas. Entretanto, para cada rosa há um bocado de espinhos a serem evitados.

– E as pessoas boas são as rosas, e as pessoas ruins com quem nos relacionamos de forma afetiva são os espinhos? – Aproveitei a pausa para questioná-lo

– Não, confrade, não é assim que funciona. – Me disse como um pai que explica ao filho – As rosas vermelhas são as pessoas com quem nos relacionaremos para o resto de nossas vidas. E essas pessoas possuem sim espinhos que tratarão de nos machucar uma vez que tentemos tocar suas essências. O fato é que não há fragrância divina que faça compensar tocar uma rosa dessas. Contente-se em admirá-las e seu caminho será muito mais certeiro.

– Desgosto deste ponto de vista, meu amigo. – Disse a ele – Faz parecer que as pessoas são objetos.

– Ora, e não são? – Me respondeu de forma irônica – Mas deixe-me prosseguir! A outra roseira, veja bem, é uma roseira curta e singela que tem sua fonte – um vaso tão singelo quanto a própria descrição permite – logo ao lado da fonte da roseira vermelha. Esta segunda, entretanto, não possui espinho algum. Possui apenas um caule curto, que segue certeiro buscando o céu, como todas as outras plantas fazem. O ano todo ela permanece inerte, sem rosa nenhuma que o calhe. Mas quando ocorre algo que não era para ocorrer e o indivíduo é merecedor de tamanha dádiva, esta singela roseira presenteia-o com uma majestosa rosa branca, cujo desabrochar provoca a inveja nas infinitas rosas vermelhas que a observam. Uma rosa cheia e imponente, cujo simples vislumbrar torna todas as outras rosas imperceptíveis e até mesmo irrelevantes. É uma vez em uma vida que se tem o prazer de apreciar uma destas, e para alguns leva mais de uma vida. Ocorre que reles mortais como eu e você muito provavelmente jamais pousaremos nossos olhos numa desta, e esta é a triste realidade.

– Mas pelo que eu entendi… – Tratei de interrompê-lo – …esta explicação toda apenas concorda com meu pensamento de que há finais felizes. Há uma possibilidade.

– Não, confrade, muito pelo contrário. – Frustrou-me – O que passa em nossa cabeça é que a cada rosa que apreciamos possa ser a rosa branca, mas na realidade nunca é e nunca vai ser. Uma vez em uma era eu me entreguei a alguém, e estou aceitando o fato de que não sou digno de uma destas. Espero mesmo é que você seja.

Não haviam mais perguntas após a injeção de realidade provocada por Leopold. O pequeno homem, afinal, possuía grandiosa sabedora, a qual era frequentemente confundida por sua miudês.

Idéia em Prática

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Olá. Quem vos escreve é o Celso, a pessoa responsável por essa boa idéia, e eu sou arcaico o suficiente para me recusar a escrever “idéia” sem o acento no “e”, mesmo que isso signifique ser pleiteado pelo autocorretor.

Eu não faço a menor idéia (!) do que este blog irá se tornar. Muito provavelmente não se tornará nada, e eu estou plenamente ciente disto. O plano para a feitura deste blog (pode ser considerado um blog?) já estava em minha cabeça há quase dois anos, mas até então me faltara motivação para  de fato criá-lo.

Eu gosto de ser surpreendido, e resolvi me surpreender hoje. Sim, eu mesmo, responsável pela minha própria surpresa ou surpreendimento. Na tarde dessa terça-feira, em Março tardio ou Abril precoce, eu resolvi finalmente escrever a vocês. Por que? Bom, acho que porque minhas distrações finalmente passaram a me aborrecer.

Nunca antes e escrevi para alguém. Meus textos foram sempre para mim, e nunca houve melhor amigo do que essa belíssima tela em branco pronta para ser preenchida com as mais diversas palavras. E eu havia esquecido disso, vejam bem! Somente agora me recordei de como essa sensação é prazerosa, a de estar novamente face-a-face com a tela em branco.

E simplesmente por citar essa tela, já me ocorre uma idéia para um texto discorrendo sobre a mesma,  eu provavelmente embasaria o texto dizendo que a tela em branco é um infinito leque de decisões, assim como a nossa vida, e cabe a nós mesmos escolher e decidir o que é que adicionaremos nela.

De qualquer forma, publicarei aqui as mais diversas idéias de minha mente doentia. Não espero que gostem, pois nem mesmo espero que alguém venha a ler. Mas quem sabe…